domingo, 4 de maio de 2014

Dia 2: burocracias e sonhos até Carmel

Nosso segundo dia teve uma manhã de duras realidades e uma tarde de sonhos. Acordamos em San Francisco (ok, isso também é um sonho, mas vocês vão ver que a manhã não foi tão simples assim) e saímos para tomar café, malas prontas para seguir para o Big Sur. Pedi indicação para o porteiro -  perguntei onde ELE tomaria café pelas redondezas - e ele apontou um lugarzinho na quadra de baixo. Fofo, mas olhamos o cardápio na porta e o café sairia uns 15 dólares por pessoa. Ou seja, cheguei à conclusão de que porteiros de hotel ganham muito bem! Pode ser uma saída caso eu venha morar por aqui e não consiga trabalho na minha área.

Comemos então num Donnuts de esquina e pedi uma banana, um muffin e um suco de laranja. Da minha bandeja, o muffin era a comida mais natural... Nem a banana daqui se salva, vai entender. Mas estava bom e o café saiu por 3,95 dólares com tudo.

Partimos então para resolver as burocracias do dia: comprar chip para o celular (graças ao Fê nem precisei pensar muito), fazer mercado para ter coisinhas para almoçar no carro, verificar na loja de aluguel do carro a confusão do seguro (que contei ontem), comprar um filtro pra minha maquina fotográfica (meu filtro que protege a lente estilhaçou no avião, ainda não sei por que), comprar um fone de ouvido profissional pro Fábio e comprar shampoo pra Dani.

Os três primeiros eram do lado do hotel, fomos à pé, mas foi uma demora tremenda por causa das filas. E fiquei chocada com os preços de comida no mercado - e com a ausência quase total de frutas! Os três últimos localizamos pelo Google lojas que fossem próximas e já no caminho da saída e partimos para lá. A de foto foi fácil e rápida. A de som, rodamos appé pela mesma rua várias vezes, sem achar... Até que descobrimos que ficava dentro de um apartamento, dentro de um prédio, sem nenhum letreiro na porta. Nos sentimos muito subversivos! Mas, quando entramos, era uma loja que vendia produtos eletrônicos para grandes empresas - fornecia fones de ouvidos e microfones para a CNN, por exemplo... Por isso não tinha fachada, as empresas fazem o pedido e eles entregam caminhões de produtos... Imagine nossa cara para pedir um singelo fone de ouvido. Foi hilário, mas eles foram super fofos e venderam com toda atenção e profissionalismo!

O que parecia mais simples - o shampoo da Dani - nós não encontramos! Depois de tantas paradas, já era meio dia, então pegamos a estrada. E começou o sonho!

Enganamos o GPS e fomos pela Highway 1, que serpenteia pelo litoral da California, desde o começo. Falésias, curvas, paradas, não sabíamos nem para onde olhar!  E não tínhamos idéia de que o melhor ainda estava por vir,  dois dias depois! Mas é bom que comece assim, porque os UAUs só aumentam a cada milha percorrida!

Depois de muitas fotos, pulamos o almoço, para a tristeza do Fábio, e seguimos até a 17 Mille Drive, que liga Monterey a Carmel e passa por dentro de um condomínio lindo. Peraí, vamos ser justos. Aqui todas as casinhas são lindas, parecem casinhas de boneca crescidas e bem pintadinhas. O cuidado que eles tem com a aparência do imóvel é impressionante. Então imaginem que as casas normais sejam as vitrines de um shopping como o Iguatemi. Lindas, né? Agora, na 17 Mille Drive, elas são a São Paulo Fashion Week. Deu para sacar a proporção?

O lugar é chique, mas para mim o que interessava mesmo estava do outro lado da rua: a beira-mar, as áreas de mata, as flores da primavera. E são a semana de moda de Paris, para manter a comparação! Vi até um veado, mas ele fugiu antes que o Fábio e a Dani vissem também. Um encanto!

Chegando a Carmel, lembramos imediatamente de Campos do Jordão. Só que na praia. Deu até um nó na cabeça, porque o ar estava gelado, o vento trazia um aroma gostoso dos pinheiros, mas o barulho das ondas e a brisa do mar nos levavam para outra paisagem. Jantamos cedo numa cantina e fomos ver o por do sol na praia. Ai, ai, se todo dia terminasse assim...

Pra ser sincera, o dia seguinte vai terminar assim também! Mas numa praia de areia rosa e ventos que fizeram me sentir num deserto. Ah, já disse que o dia vai começar com baleias?


Comentários aleatórios:
- ainda não vi um americano rir. Todos sorriem. Mas rir mesmo, de sair aquele som gosto do e contrair o abdômen, não... Queria conhecer o som da risada deles!

- a comunicação dos americanos é muito verbal e quase nada gestual. 95 por cento do que eles falam está nas palavras. É impressionante como, pro nosso padrão, faltam expressão facial e o gestual. Mesmo o corpo deles diz muito pouco numa conversa. São muito mais duros e tendem a esperar pelas palavras. Parece até que interpretam pouco do que o corpo e rosto comunicam. E, no caso de nós, brasileiros, a comunicação não verbal fala muito!

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